Investigando os crimes da ditadura civil-militar


Este livreto é um material de apoio do Projeto “Contemos Nossa História – os mecanismos de repressão e perseguição política durante a ditadura – memória dos trabalhadores metalúrgicos e militantes de São Paulo”. Para baixar o arquivo em pdf,clique aqui. Abaixo, leia a introdução do livreto: Porque investigar, como investigar Há uma retomada, na sociedade brasileira, da apuração dos crimes cometidos pela ditadura civil-militar contra os trabalhadores e o povo brasileiro. Ainda não é um tema popular, mas há muitas notícias na imprensa, reportagens, memórias de militantes ou familiares dos perseguidos. Neste caderno, colecionamos algumas matérias da imprensa escrita que a maioria da população não tem acesso. Achamos que, ao mesmo tempo em que pedimos a abertura dos arquivos, necessitamos investigar também, isso significa ouvir os participantes das lutas, seus familiares, recuperar datas e situações, nomes e desenvolver pesquisas nesse sentido. As reportagens sobre os centros clandestinos de tortura, as revelações do traidor Cabo Anselmo e outros, a reconstrução de como funcionava a repressão se deve às corajosas denúncias de presos e familiares, alguns ainda enquanto presos, e ao trabalho de profissionais da imprensa e pesquisadores que romperam o cerco da grande mídia e o pacto das elites para abafar as investigações. Para as classes dominantes, autoridades militares e clubes militares já está resolvido: a Anistia protege os torturadores e mandantes. Mas, para nós, não. Outro aspecto necessita ser considerado, somente agora a repressão contra as classes trabalhadoras e os movimentos populares começaram a serem pesquisados. Qual era a relação existente entre os órgãos do Estado (as diversas polícias, o Judiciário, os tribunais militares, o SNI), as empresas e os interesses empresariais? Qual era a relação entre a repressão e as embaixadas e consulados de outros países, particularmente os EUA? Nos anos 70, durante o “milagre brasileiro”, as taxas de crescimento eram garantidas pela paz dos cemitérios no campo e pelo silêncio nas fábricas. Na transição para a chamada democracia, o número de lideranças e trabalhadores rurais assassinados contam-se às centenas. Os assassinatos de companheiros como Nativo da Natividade, Wilson Pinheiros e Chico Mendes nos anos da “abertura” mostraram ao mundo a realidade da opressão no campo. As lutas das Comunidades de Base e dos movimentos populares na cidade ainda necessitam de um registro à altura. Nas grandes cidades e nas concentrações industriais, o movimento operário estava irmanado ao movimento popular, explodindo em reivindicações, novas organizações, jornais e publicações. Um elemento central na desconstrução dos planos da “abertura lenta, gradual e segura” foi a irrupção das greves de trabalhadores e, particularmente, a entrada da classe operária em cena. A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, teve um papel relevante na Grande São Paulo e sua influência se estendeu pelo Brasil. O PROJETO MEMÓRIA DA OSM-SP tem a função de reconstruir essa trajetória. Mas, durante o ano de 2012, tem uma tarefa a mais: investigar como se deu a REPRESSÃO CONTRA OS TRABALHADORES NAS FÁBRICAS. Essa investigação será realizada, como sempre fazemos, reunindo os operários e militantes que participaram das lutas, vale ressaltar que não foram só os metalúrgicos que atuaram na OSM-SP. Irmanadas estiveram diversas categorias operárias que foram se organizando e lutando. Os professores criaram os Comandos de Greve como forma de organização participativa da base da categoria. A nossa investigação se complementa com a pesquisa nos arquivos existentes. O desmonte da farsa do Riocentro só foi possível com a realização de pesquisa no próprio inquérito, levantando as contradições das informações dos militares sobre a bomba no show do 1º de maio. Os artigos desse caderno foram divididos em dois blocos. O primeiro busca evidenciar o “modus operandi” da máquina do terror, as simulações das mortes, a militarização do aparato repressivo clandestino e as ligações das empresas com a repressão. O segundo bloco visa mostrar como estão acontecendo os processos de punição dos responsáveis e torturadores das ditaduras nos países da América Latina, além de evidenciar a morosidade na apuração dos crimes da ditadura no Brasil, bem como os impasses na constituição da COMISSÃO DA VERDADE. A ruptura com essa cultura de conciliação só ocorrerá com pressão política dos interessados diretos e formadores de opinião, mas principalmente pela pressão popular. Esperamos estar contribuindo para popularizar a questão.

Associação Projeto Memória da OSM-SP São Paulo 24 de março de 2012.

2 thoughts on “Investigando os crimes da ditadura civil-militar

  1. Parabéns ao IIEP pela iniciativa … só seremos capazes de construir uma democracia se formos capazes de escrever a nossa história por inteiro, com todas as violencias e arbitrariedades sofridas pelos trabalhadores …. há um longo e duro caminho a ser percorrido mas que precisa vir a tona ….

  2. “A única maneira que os trabalhadores teriam de interferir no processo de modernização tecnológica seria se, desde sempre, as organizações nos locais de trabalho tivessem existido de modo atuante e decisivo e isso não aconteceu. A conquista da redemocratização da sociedade, fato relevante do último período da conjuntura brasileira e internacional, não foi acompanhada pela democracia nos locais de trabalho, onde continuou em vigor uma indisfarçada ditadura do capital sobre o trabalho”. do blog olhar diferente em 8 de maio de 2012

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